domingo, 14 de março de 2010

GP do Bahrain

Primeiro GP e as coisas começam a ficar mais claras. É claro que apenas um GP - pelas características do circuito e as condições únicas do tempo - não é adequado para uma conclusão, mas dá para ter uma idéia muito boa. Esta foi a primeira oportunidade que tivemos de ver os carros correndo lado a lado em condições semelhantes de pneus e nível de combustível.

Red Bull e Ferrari parecem estar a frente da concorrência, mas extremamente próximas. Hoje o pole, Vettel, muito provavelmente venceria não fosse um problema, aparentemente no escapamento, que o fez perder potência. Conquistou a pole por muito pouco ontem. Foi 1:54.101 contra 1:54.242 do Massa. Se manteve a frente na largada e depois administrou bem. Facilitou muito o trabalho o fato dos ferraristas optarem por uma estratégia de corrida idêntica. Vettel (Red Bull) terminou em 4º, após Alonso (Ferrari), Massa (Ferrari) e Hamilton (McLaren). Rosberg (Mercedes), Schumacher (Mercedes), Button (McLaren), Webber (Red Bull), Liuzzi (Force India) e Barrichello (Williams) facham os 10 primeiros ao final do GP do Bahrain.

Entre os ferraristas, a corrida foi decidida na largada. Alonso largou do lado emborrachado da pista, ou seja, o que traciona melhor. Nisso levou grande vantagem perante seu companheiro, Massa. Partiu para cima, dividiu a primeira curva, e beneficiou-se pelo configuração do traçado da pista. A segunda curva colocou Alonso do lado de dentro.

Depois disso na frente a coisa, pelo menos na frente, transformou-se em uma procissão, que só foi perturbada com o problema de Vettel já na segunda metade da corrida. Pelo que se percebeu com esta primeira corrida com as novas regras, as ultrapassagens nas paradas serão mais difíceis e com a queda do peso do carro ao longo da prova faz com que o segundo set de pneus tenham uma durabilidade muito maior. Algo que deve melhorar muito ao longo do ano é o tempo gasto pelas equipes nas trocas de pneus.

Depois de Ferrari e Red Bull, vem McLaren e Mercedes nesta ordem. Para se ter idéia a diferença de Hamilton para Alonso foi de 23.1s e de Hamilton para Rosberg foi de 17.1s. Com o resultado ficou clara a superioridade destas 4 equipes, que ocuparam as 8 primeiras posições.

Ainda terminaram a corrida Kubica (Renault), Sutil, Alguersuari, Hulkenberg, Kovalainen, Buemi e Trulli. Já Pedro de la Rosa (Sauber), Senna (Hispania), Glock (Lotus), Petrov (Renault), Kobayashi (Sauber), Lucas di Grassi (Virgin) e Chandhok (Hispania) abandonaram.

Destaque para Force India, Williams e Renault. Renault, por sinal, chamou-me muito a atenção. Acho que tem um carro muito melhor que eu imaginei depois da pré-temporada. Force India está dentro do que imaginei. Surpreende bastante por seu histórico. Williams é que está devendo um pouco. Esperava um pouco mais. Acho que atrás das 4 tops, estas 3 equipes disputam o quinto posto. Acho inclusive que Force India e Renault poderiam ter conquistado melhores posições caso não tivesse acontecido um toque entre Kubica, que largou em 9º, e Sutil, que largou logo atrás, logo no começo.

Toro Rosso apresentou um resultado mediano, dentro do esperado. Já Sauber não conseguiu concluir a etapa com nenhum de seus carros. Talvez Sauber consiga chegar ao grupo de Renault, Williams e Force India para disputar o 5 posto entre os construtores.

Dentre as estreantes, não há como deixar de comentar o resultado extremamente positivo para a Lotus. Foi a única das novatas que conseguiu concluir a primeira etapa da temporada e fez isso com ambos os carros. Agora passa a tentar se estruturar melhor e diminuir a distância para as equipes já estabelecidas. Para a segunda etapa, cabe a Virgin e Hispania trabalhar na confiabilidade do carro e tentar concluir seu primeiro GP.

Destaque na prova para a primeira vitória de Alonso na Ferrari em sua estréia pela equipe italiana. Destaque para o pódio de Hamilton mesmo tendo Ferrari e Red Bull desempenho superior. Não dá para deixar de comentar sobre o retorno de Michael Schumacher. Foi o 6º, uma posição e menos de 4s atrás de seu companheiro. O alemão ainda está em fase de adaptação, mas já mostra um bom desempenho. Deve crescer bastante ao longo do ano.

O próximo GP é na Austrália (Melbourne) daqui a 2 semanas.

sexta-feira, 12 de março de 2010

F1 2010

Neste final de semana tem início a temporada 2010 da F1, que por sinal vem cheia de mudanças. Saíram equipes e chegaram outras, pilotos trocaram de times e as regras sofreram algumas modificações.

As equipes e os pilotos



A Toyota depois de anos de enormes investimentos e resultados medianos usou a crise financeira como desculpa para abandonar a F1. Seus pilotos arrumaram vaga nas equipes novatas. Trulli foi para a Lotus e Glock para a Virgin. A Stefan GP comprou o carro projetado pela Toyota para este ano com a intenção de arrumar uma vaga no grid, mas a FIA não liberou apesar da USF1 ter desistido de estrear este ano por falta de dinheiro. Acho que a decisão foi acertada. Estava virando zona. As outras 3 equipes novatas estavam cheias de problemas para conseguir construir um carro a tempo e arrumar dinheiro para a temporada. Colocar mais uma equipe capegando poderia complicar mais ainda as coisas para todas elas.

Seguindo a debandada das montadoras, BMW também falou em crise financeira e anunciou a sua retirada da F1. Passou um bom tempo para conseguir viabilizar a continuidade do que restou. Peter Sauber terminou por reassumir o controle total da equipe fundada por ele. Renomeou a equipe para Sauber novamente e fechou acordo com a Ferrari para o fornecimento de motores. Contratou De La Rosa e Kobayashi para pilotos titulares. Uma dupla razoável. Kobayashi é o jovem piloto japonês que mostrou bom desempenho nas 2 últimas etapas do ano passado, quando substituiu o Glock da Toyota, que sofreu um acidente e ficou impossibilitado de correr. De La Rosa foi piloto reserva da McLaren por muito tempo. Quanto a antiga dupla de titulares, Kubica foi para a Renault e Heidfeld não conseguiu um posto de titular para este ano. Assinou com a Mercedes como reserva.

Uma outra montadora ameaçou sair, mas ainda não foi de vez. A Renault vendeu a maior parte da equipe para um grupo de investidores. De qualquer forma manteve a produção de motores, que inclusive é utilizado pela Red Bull. Neste meio tempo, perdeu sua dupla de pilotos. Alonso partiu para a Ferrari e Grosjean foi chutado. Chegou Kubica e Petrov. O polonês não precisa de maiores apresentações. Acho que tem muito a contribuir para a equipe, mas provavelmente fez um péssimo negócio. Principalmente com a decisão da Renault de iniciar sua retirada da F1 anunciada pouco depois do anúncio de sua contratação. O russo veio da GP2. É um bom piloto, mas essenciamente foi o escolhido por ser aquele que mais dinheiro traria para a equipe. O visual do carro mudou bastante. Agora o amarelo e preto predominam.

Tomando o caminho inverso, a Mercedes decidiu encerrar a tortuosa parceria com a McLaren (caso de espionagem e depois a confusão da mentira descarada do Hamilton no início de 2009) e comprou a Brawn, vencedora da temporada passada. A parceria com a McLaren azedou de vez com a decisão da equipe de passar a produzir carros esportivos. De qualquer forma Mercedes ainda continuará a fornecer motores para a McLaren por mais alguns anos. Foi um ótimo negócio para a Mercedes e a Brawn. Para a equipe inglesa foi a solução para seus problemas financeiros. A Brawn essenciamente venceu o título do ano passado graças a grande quantidade de dinheiro e esforço empregados pela Honda ao longo de 2008 com Brawn supervisionando e dando seus pitacos no projeto do carro para a temporada seguinte. Vale lembrar que em 2008 a Honda dispunha de um carro terrível, que logo deixou de ser desenvolvido para poder concentrar esforços na construção do carro seguinte. No final de 2008 a Honda saiu e Brawn assumiu o espólio. Daí fechou acordo com a Mercedes para o fornecimento de motores e por sorte a fusão do carro projetado e do motor Mercedes foi muito boa. Para completar a equipe explorou desde o início o uso do difusor duplo. A concorrência levou muito tempo para chegar. Quando chegou e ultrapassou, o campeonato estava praticamente assegurado. Ao longo de 2009 foi notório o baixo investimento da Brawn no desenvolvimento do carro apesar de disputar os títulos. Isso se deveu ao fato de dispor de pouco dinheiro. Nesta situação aposto que o carro deste ano deve ter começado a ser projetado tardiamente. Ao longo de 2009 as incertezas sobre a continuidade em 2010 levou a equipe a perder sua dupla. Barrichello foi para a Williams e Button foi para a McLaren. Assim, trouxe Rosberg da Williams e retirou Michael Schumacher da aposentadoria. Muito se espera desta nova parceria entre Schumacher e Brawn, que continua chefe da equipe. Vale lembrar que Brawn esteve presente nos 7 títulos de Schumacher. O visual do carro mudou bastante. O prata predomina e entra também o azul invocado da Petronas, que deixou de patrocinar a BMW, hoje Sauber.

Virgin, Hispania e Lotus são as novatas. Vale lembrar que a Lotus de hoje não tem nada a ver com a Lotus de antigamente. A semelhança fica apenas no nome. A atual inclusive é dirigida por alguém que não tem experiência com automobilismo. O governo da Malásia está a frente do projeto. A Virgin vem de uma parceria entre o pessoal da Manor (equipe de F3) e o grupo Virgin, que ano passado patrocinou a Brawn. Das três novatas é a que mais gera expectativas, pelo menos para mim. Seu projeto inova ao não fazer uso do túneo de vento com o objetivo de cortar custos. O projeto faz uso somente de simulação em computadores. A equipe tem experiência com este tipo de projeto na Le Mans. Pela pré-temporada parece ser a novata de melhor desempenho, mas enfrenta problemas sérios de confiabilidade. A Hispania é a novata que mais tem demonstrado problemas para conseguir correr. Era Campos, foi vendida de última hora para José Ramón Carabante (dono da empresa Meta Image). Este por sua vez pagou o que devia a Dallara, que teve de correr para conseguir concluir o chassi do carro a tempo. É a única das equipes que chegou ao Bahrain (primeira etapa) sem nunca ter testado seu carro. Todas estas três usam motor Cosworth. Trulli e Kovalainen formam a dupla de titulares na Lotus. Glock e Lucas Di Grassi são pilotos da Virgin. Bruno Senna e Karun Chandhok correm pela Hispania.

Eu entendo a razão da FIA restringir os testes por redução de custos da categoria, mas acho esta regra muito bizarra. Tomara que eles encontrem logo uma solução para isso. Acho um absurdo a Hispania chegar para correr no Bahrain sem nunca ter testado seu carro. Para se ter idéia, foi só no Bahrain que o carro foi completamente montado e o motor ligado pela primeira vez. O carro do Karun Chandhok só foi para a pista no treino classificatório. Devido a falta ou pouca quilometragem das novatas há problemas quanto a velocidade muito inferior em relação às equipes já estabelecidas e o carro "desmonta" quando está na pista. A menor velocidade pode complicar a vida dos pilotos que dispõem de carros mais rápidos porque os carros lentos essencialmente transformam-se em obstáculos pela pista. Já pensou, a FIA está querendo inovar com uma corrida com obstáculos. Nos treinos livres o carro de Bruno soltou uma porca do pneu e carro do Glock soltou uma roda. Lembram do GP da Hungria e do acidente do Massa? Isso muito perigoso. De qualquer forma, é bom ter as novatas no grid este ano e espero que rapidamente elas resolvam estes problemas. A FIA poderia ajudar permitindo testes para que elas se acertassem mais rapidamente.

Ferrari tinha contrato com Alonso para 2011. Decidiu antecipar a contratação para 2010 por não estar muito feliz com a apatia de Raikkonen. O finlandês decidiu se manter longe da F1 neste ano para poder receber uma multa milionária da Ferrari. Está disputando rallies pela Citroen na WRC. Desta forma a Ferrari conta com Alonso e Massa, que volta depois de um longo período afastado devido ao seu acidente no GP da Hungria.

Na McLaren a maior mudança foi a troca de Kovalainen por Button, o campeão de 2009. Desta forma contará com uma dupla muito mais forte. Porém, vale lembrar 2007 e a tumultuada parceria Hamilton e Alonso. Vamos ver como Hamilton irá lidar com a pressão de ter novamente um piloto forte como parceiro. Outra mudança foi o encerramento da parceria com a Mercedes, amenizada pelo fato de prosseguir utilizando os motores da montadora alemã.

Williams para este ano trocou ambos os pilotos e trocou os motores Toyota pelos Cosworth. Rosberg foi para a Mercedes e Nakajima não arrumou vaga para este ano. Chegou Barrichello e Hulkenberg, o atual campeão da GP2. Acho que a troca dos motores foi boa, mas ainda não sei se será suficiente para alcançar o Mercedes, Ferrari ou Renault. Acho que não. Red Bull manteve a dupla (Vettel e Webber), assim como os motores Renault. Toro Rosso também manteve a sua dupla (Buemi e Alguersuari) e os motores Ferrari. A maior mudança é uma maior independência da Red Bull. O projeto do carro deste ano, segunda a equipe, foi próprio. Force India também manteve a dupla (Sutil e Liuzi) e os motores Mercedes.

As regras



A maior alteração em relação ao ano passado é a ausência do reabastecimento. Com isso os carros precisaram de um tanque bem maior. Isso repercutiu em todo o seu projeto, uma vez que foi necessário alocar espaço para este crescimento, assim como fazer os devidos ajustes na distribuição de peso do carro. O desgaste de pneus e o consumo de combustível tornaram-se as maiores preocupações das equipes. No início dos GPs os pilotos devem tomar um maior cuidado com o desgaste dos pneus por estar com o carro muito pesado. Outro cuidado especial deve ser dado aos freios, que com o carro mais pesado sofre um pouco mais.

Os pneus dianteiros foram estreitados com o objetivo de promover um maior equilíbrio no carro. Isso deveria ter sido feito ano passado com as mudanças na aerodinâmica, principalmente a asa dianteira grande e a traseira pequena. Acontece que a FIA bobeou e quando percebeu já era tarde. As equipes já estavam em estágio avançado do projeto de seus carros.

Como o número de equipes aumentou em relação ao ano passado, foi necessário definir nova regra para os treiros. Agora voam 7 carros no Q1 e mais 7 no Q2. Os 10 que restarem disputam a dianteira do grid no Q3, como era ano passado. Agora no Q3 os carros vão classificar com o tanque vazio. Isso vai ser legal. O mais rápido realmente volta a largar na frente. Outra mudança é que o piloto que disputou o Q3 tem que largar com o mesmo pneu que terminou o treino. É importante salientar que os tempos no Q3 podem ser mais altos que no Q2 pelo fato de que os pilotos têm de poupar os pneus para a corrida. A tendência é que no geral as equipes adotem 1 parada apenas. Isso inclusive pode fazer com que os pilotos decidam usar os compostos mais duros para marcar tempo no Q3, o que faz com que os tempos sejam mais elevados.

Para amenizar os problemas do ano passado pela falta de testes, agora é permitido que os pilotos que forem assumir o posto de titular no meio da temporada realizem treinos.

Uma última mudança foi realizada no sistema de pontuação. Agora os 10 primeiros pontuam, antes eram apenas 8, e há uma bonificação maior para o vencedor e para o pódio em geral. A pontuação agora é 25, 18, 15, 12, 10, 8, 6, 4, 2, 1. Gostei demais desta alteração. Deve dar uma forcinha para a galera forçar ultrapassagens. Deve deixar a corrida mais animada.

Maiores informações no Tazio.

Relação de forças



Depois dos testes na pré-temporada ficou evidente apenas que as quatro melhores eram Ferrari, Red Bull, McLaren e Mercedes. Isso é consenso. Dentre estas 4 fica difícil estabelecer uma ordem. Parecem estar muito próximas. Talvez a Mercedes esteja um pouco atrás. Este campeonato, desta forma, promete ser o mais disputado em muito tempo. Este ano ficou ainda mais difícil tirar conclusões dos testes porque o tanque aumentou e assim a grande variação no peso dos carros levam a grande variação no desempenho.

Fora a superioridade destas 4, fica evidente apenas que as 3 novatas estão bem atrás e disputam um campeonato a parte entre elas. Hispania parece estar bem atrás, até porque foi a primeira vez que entrou na pista. Virgin parece ter o carro de melhor desempenho, mas a Lotus parece ter um carro mais confiável. Desde os primeiros testes tem enfrentado menos problemas com quebras.

Quanto a Williams, Toro Rosso, Sauber, Force India e Renault ainda está difícil de estabelecer uma relação de forças entre elas.

Dentre os que provavelmente disputarão o título, não aposto ainda em nenhuma equipe. Torço por Ferrari e acho que dispõe de um bom carro para isso, além de certamente dispor da dupla de pilotos mais forte. O calcanhar de aquiles da equipe está na relação entre eles. Se os ânimos se exatarem entre Massa e Alonso será provavelmente o fim das chances da Ferrari em qualquer dos campeonatos. Pelo que tenho visto, isso não deve ser problema. Alonso parece ter amadurecido bastante neste ponto, Massa dispõe de bom respeito e suporte da equipe e a própria Ferrari também tem mostrado uma postura muito positiva neste quesito. Dentre os dois Alonso é muito forte, mas acredito que Massa possa o superar. Acredito inclusive num título para Massa este ano.

Tenho que admitir também uma grande admiração pela equipe Red Bull. Caso esta seja a grande campeã da temporada, isso me deixaria feliz. Seu calcanhar de aquiles encontra-se no motor Renault, que ano passado eliminou qualquer chance de disputa pelo título devido a diversas quebras. Dentre Vettel e Webber, coloco mais fé em um possível título de Vettel. Apesar de Webber ser mais experiente e constante, Vettel faz miséria.

Na dupla da McLaren vejo uma certa vantagem para Hamilton em relação à Button, pelo fato do atual campeão ainda estar se adaptando a nova equipe e ainda desconfio de que Hamilton continue a dispor de algumas regalias. Tomara que esteja errado. Na Mercedes não há dúvidas de que Schumacher seja superior a Rosberg, mas ainda está se readaptando a um carro de F1 e está temporariamente tomando tempo do Rosberg. Acredito que ao longo do ano Schumacher supere Rosberg.

Os brasileiros



Os pilotos brasileiros não terão vida fácil este ano. Massa tem Alonso como companheiro. O espanhol é muito bom, talvez o mais completo atualmente na F1. Fora que Alonso é conhecido por tomar para si toda a atenção da equipe. Se isso acontecer a vida de Massa vai ficar extremamente complicada. Não acredito que aconteça. Dentre os brasileiros vejo chances de título apenas para Massa.

Rubens Barrichello, por sua vez, não tem nada mais a provar a ninguém com tudo o que consquistou ao longo da carreira, mas enfrenta a jovem promessa alemã, Hulkenberg. Acredito que Barrichello supera Hulkenberg, mas não seria surpresa se o alemã o superar.

Dentre os brasileiros a situação dos novatos, Senna e Di Grassi, é a mais crítica. Eles dispõem de carros muito ruins e isso vai dificultar muito que eles mostrem todo o potencial deles, o que pode dificultar a continuidade na F1. Tomara que não. Bruno deve ter mais facilidade de superar o companheiro. Chandhok corria na mesma equipe de Senna e o brasileiro mostrava melhor desempenho que o indiano. Já Lucas de Grassi enfrenta um piloto com experiência na F1 (Glock).

domingo, 1 de novembro de 2009

F1 2009

Hoje aconteceu, em Abu Dhabi, o 17º e último GP da temporada 2009. Foi um GP de estréia. Belas imagens e um lugar fantástico, mas esqueceram do principal, a pista. Apesar de ser em um circuito fechado, a pista tem características de um circuito de rua. O resultado foi o esperado, corrida muito chata. O ponto alto ficou por conta de uma ultrapassagem de Kobayashi sobre o campeão, Button, que estava ainda com os pneus frios. Além disso, houve uma forte disputa entre Button e Webber pela 2ª posição nas 3 últimas voltas. As investidas de Button fracassaram, mas geraram alguma emoção. Na ponta, Vettel nem tomou nota do que acontecia. É verdade que Vettel teve sua vitória facilitada pelo abandono de Hamilton logo após a primeira parada, mas o ritmo imbatível da McLaren na classificação não apareceu hoje durante a corrida. Fiquei com a impressão que, mesmo sem problemas, Hamilton não venceria. O ritmo inferior ao que se esperava. Mesmo com o carro mais leve que o de Vettel não conseguia abrir. Tanto que depois da primeira rodada de paradas Vettel estava a sua frente.

Rubinho, único brasileiro no GP hoje, disputava a segunda posição no mundial com Vettel, mas não tinha muitas chances. Precisava terminar a frente de Vettel, mas seu carro hoje era bem inferior. Fora que para largar um pouco mais a frente no grid classificou com pouco combustível. Para completar quebrou uma parte da asa dianteira logo na primeira curva em disputa pela 3ª posição com Webber.

Este foi um mundial diferente do que estávamos habituados, devido às profundas alterações no regulamento que rege a construção dos carros. Com as mudanças e a disputa acirrada entre McLaren e Ferrari no ano anterior, houve uma baita embaralhada na relação de forças entre as equipes. McLaren e Ferrari começaram bem atrás e a "estreante" Brawn teve um início arrasador com 6 vitórias de Button em 7 GPs disputados. A equipe, que surgiu do espólio da Honda, assegurou sua participação pouco antes do primeiro GP. Com um acordo de última hora fechou um contrato para fornecimento de motores com a Mercedes e participou apenas da última semana de testes pré-temporada. Os resultados apresentados mostraram enorme potencial do carro com um ótimo casamento entre o carro, projetado e desenvolvido pela Honda desde o início de 2008, e o melhor motor da temporada, Mercedes. Fora isso, esperados problemas de confiabilidade pela falta de testes não se confirmaram.

A grande verdade é que considerar a Brawn uma estreante é de certa forma uma injustiça. A equipe do ano anterior foi mantida. As grandes diferenças que podemos citar entre 2008 e 2009 para Honda/Brawn são:


  • Brawn passou a liderar a equipe. Fry foi mantido, mas perdeu muito espaço no comando.

  • O carro utilizado em 2009 foi o primeiro onde Brawn participou plenamente da concepção e desenvolvimento.

  • Como viram que o carro de 2008 não teria jeito logo no início de 2008, a equipe direcionou todas as energias e recursos para o próximo ano.

  • Brawn foi o único que começou o ano explorando a brecha no regulamento quanto ao difusor.

  • Demora da FIA em se pronunciar sobre a brecha do difusor. A federação deixou que 4 GPs ocorressem até julgar a validade ou não do difusor. Julgou válido e as outras equipes ainda levaram algum tempo para adaptarem seus carros.

  • Troca do motor Honda pelo Mercedes e a bela dose de sorte dele adaptar-se facilmente ao carro.



Acho que todos estes 6 pontos foram cruciais para os títulos este ano. É claro que para a conquista dos títulos não podemos esquecer dos pilotos, ambos de muito experiência e talento, além de já estarem integrados a equipe a um bom tempo. Button foi o campeão, merecidamente, principalmente pelo grande início, onde faturou 6 das 7 primeiras etapas. Depois disso foi consistente e administrou a vantagem. Vale salientar que Rubens teve uma grande participação na conquista da equipe, e até de pilotos para Button, por seu reconhecido talento para acerto e desenvolvimento do carro. Não é a tôa que Button insistiu na manutenção de Rubens para este ano.

Para Rubens a história poderia ter sido bem diferente caso a equipe tivesse participado de toda a pré-temporada ou se os testes não tivessem sido banidos durante a temporada. Acontece que seu desempenho no início do ano foi bastante prejudicado por um problema nos freios. Acontece que Rubens e Button começaram usando o mesmo tipo de freios no início da temporada. Button se adeqüou facilmente, mas Rubens não. Isso levava a superaquecimento nos freios de Rubens. A solução inicial foi a retirada da calota dos pneus. Isso resolvia o superaquecimento, mas fazia com que o carro ficasse mais lento. Posteriormente, já no meio da temporada, decidiu-se por trocar o tipo de freio utilizado por Rubens. A partir daí, viu-se o rendimento do brasileiro crescer. Tanto que ele chegou a suas 2 vitórias e chegou a ameçar o título de Button.

Dentre as mudanças para este ano tivemos uma série delas relacionadas a uma tentativa de facilitar as ultrapassagens e outras ligadas a redução de custos. Sobre as ultrapassagens, não surtiram o efeito esperado. O tão discutido e caro KERS foi utilizado apenas por 4 equipes (BWM, Renault, Ferrari e McLaren) e mesmo assim não foi uma grande vantagem para elas. Acontece que o sistema interferia bastante na distribuição de peso dos carros e acrescenta um peso extra, que nem sempre era superado pelo ganho de desempenho. Demorou a começarem a usar e deixou de ser utilizado em alguns momentos. Para o ano que vem a FIA permitirá seu uso, mas as equipes já fecharam acordo entre elas para ninguém usar. Acredito que a idéia é muito boa, mas precisa ser melhor pensada. A tal da crise financeira também foi um duro golpe para seu sucesso.

Ainda sobre as ultrapassagens, houve a volta dos pneus lisos, o aumento das asas dianteiras, a diminuição das traseiras e a instalação de disposivos para que os pilotos fizessem ajustes na asa dianteira por controles no volante. Acho que isso surtiu um pouco mais de efeito que o KERS. Talvez tivesse resultados mais claros caso a Brawn não tivesse chegado com o tal difusor duplo. Não sou especialista em aerodinâmica mas, pelo que entendi, ele explorar a aerodinâmica de uma forma que estavam querendo que não acontecesse mais neste ano. Não sei como isso ficou para o ano que vem.

Sobre a redução de custos, houve a redução de 19.000 para 18.000 giros máximos no motor, o limite de 8 motores por temporada, o limite de 1 câmbio para 4 GPs, acaberam com as ajudas eletrônicas, vieram com o fornecedor único da centralina (equipamento que gerencia toda a eletrônica no carro) e acabaram com os testes durante a temporada. Não gosto muito desta centralina única e nem do congelamento de desenvolvimento do motor, que já vinha acontecendo. F1 sempre foi um esporte para desenvolvimento. Pior que isso, para mim, foi banir os testes. No início pudemos ver o problema que foi modificar o carro para ter o novo difusor com a limitação nos testes. Depois, ao longo da temporada, pudemos ver o problema que era colocar um novo piloto no carro. Não foi problema só colocar pilotos de outras categorias, mas bastava colocar um piloto de uma equipe em outra para este ficar a tôa na pista. Os treinos livres nos GPs não eram suficientes para os pilotos ganharem confiança no carro. Parece que para o ano que vem vão remediar isso com testes nas segundas pós-GPs. Assim os testes serão feitos e não aumentarão muito os custos.

O ano começou com Brawn imbatível, Red Bull surpreendendo, e Toyota e Williams chamando a atenção. McLaren, Ferrari e BMW decepcionaram. Com o passar do tempo Toyota e Williams caíram de produção e alternaram bons e maus momentos. Ferrari cresceu de produção consistentemente, mas a partir da 10ª etapa se complicou devido ao acidente que tirou Felipe Massa do restante da temporada. Tentou substituí-lo inicialmente por Badoer, reserva da equipe, e depois por Fisichella, que veio da Force India. Devido a carência de testes, nenhum deles conseguiu marcar pontos e figuraram nas últimas posições. No final Ferrari caiu bastante de produção porque decidiu investir seu tempo no carro do próximo ano. McLaren demorou um pouco mais para apresentar um desempenho mais consistente, mas na segunda metade passou a ter um dos melhores, se não o melhor, monoposto. Red Bull teve uma temporada muito forte. De cara mostrou potencial. Cresceu rapidamente, manteve-se forte durante boa parte do ano e em alguns momentos possuiu o melhor carro. Talvez tivesse outro final se não tivesse enfrentado problemas com quebras de motor (Renault) na segunda parte da temporada. A Brawn começou dominante, mas não foi bem no desenvolvimento durante a temporada. Na verdade não foi falta de competência, mas sim falta de dinheiro para isso. Praticamente garantiu os títulos na primeira metade do ano. Perdeu espaço para Red Bull e McLaren durante toda a segunda metade e em alguns momentos para Ferrari e até Toyota, Force India, Williams e BMW.

Dentre os pilotos, o ano foi de Button pelo título e pelo desempenho fantástico do início da temporada. De qualquer forma o grande destaque foi, sem sombra de dúvidas, Vettel. O jovem piloto alemão pode ter errado em alguns momentos, mas mostrou um desempenho fantástico. Não fossem as quebras que enfrentou poderia ter ameaçado e tomado o título de Button. Webber e Rubens foram outros que figuraram entre os pretendentes ao título, mas com menos brilho. A grande qualidade de Webber foi a consistência.

Dentre as grandes decepções no ano coloco Kovalainen, que marcou 22 pontos durante a temporada. Massa com apenas 9 GPs disputados marcou o mesmo número de pontos. Outra grande decepção foi a BMW. A equipe vinha cumprindo bem suas metas a cada ano, mas neste ano despencou. Diferentemente de McLaren e Ferrari não conseguiu reagir e terminou por decidir abandonar a F1.

domingo, 30 de agosto de 2009

E na categoria de acesso

O título não deve sair das mãos de Hulkenberg. Tem grande vantagem.

Esperava mais de Lucas di Grassi este ano. Uma pena, as coisas não estarem dando certo para ele este ano.

Acho que para o ano que vem Hulkenberg e Petrov (o vice-líder) se garatem no grid da F1. Lucas di Grassi acho que se complicou com os resultados deste ano. Vale lembrar que, apesar das vagas que vão sugir, há muitos pilotos disputando vaga. Bruno Senna, Nelsinho e Bordais são alguns dos nomes.

Sobre a F1

Desculpem-me pelo desaparecimento, mas a gente tem que trabalhar de vez em quando. Depois de muito tempo afastado, vamos fazer alguns comentários.

Então ... neste período de afastamento esquecendo um pouco o campeonato os principais acontecimentos, se não me falha a memória, foram: o grave acidente do Massa, os afastamentos de Nelsinho e Bordais e o anúncio da saída da BMW no final do ano.

Sobre o acidente do Massa, foi bizarro. Ele teve muita sorte e azar ao mesmo tempo. Azar pela mola estranhamente se soltar e mais ainda por acertá-lo no único ponto vulnerável. Tanto lugar para aquela mola bater e vai bater logo no capacete dele. E sorte por estar bem e logo logo deverá estar de volta sem maiores conseqüências. Caso a mola tivesse batido na viseira, muito provavelmente teria penetrado o capacete e teria sido fatal.

Sobre os afastamentos, achei injustos, mas o dinheiro é da equipe e entrega seu carro a quem quer. Bordais saiu reclamando muito alegando que não conseguiu adaptar seu estilo de pilotagem ao carro que recebeu. A história poderia ter sido outra se a equipe tivesse se dedica mais a adaptar o carro ao estilo dele. Sobre Nelsinho, eu ainda tenho um pé atrás com ele. De qualquer forma, esperava um desempenho melhor. Dá para dar um desconto ao Nelsinho o fato de ter de lidar com um chefe sem noção. Isso deve ter o atrapalhado em diversos momentos. Espero que ele tenha uma segunda chance na F1.

Sobre o anúncio da saída da BMW, é uma pena. Faz tempo que passei a admirar a equipe Sauber. Com a chegada da BMW a equipe agregou aquilo que faltava, grana. Foi assim que chegaram ao grande desempenho dos 2 anos anteriores, com direito a vitória, pole e melhor volta.

Sobre a corrida de hoje, Fisichella foi o grande nome. Conquistou a pole ontem e hoje foi segundo, acompanhando Raikkonen de muito perto. É impressionante o que fez com o carro que tem. Depois o que mais chamou a atenção foi o retorno de Raikkonen e da Ferrari ao topo do pódio e a grande melhoria no desempenho da BMW com o 4º lugar de Kubica e o 5º de Heidfeld. De qualquer maneira não há como negar que o grande vencedor no final de semana foi o Button. Apesar de sua má fase, o campeonato cada vez mais parece que não saíra de suas mãos. Primeiro foi Barrichello que travou na largada e depois a punição para Webber. A diferença do vice-líder, Rubinho, para Button reduziu, é verdade, mas poderia ter sido muito pior.

Sobre os rumos do campeonato, acredito que nos construtores dá Brawn. Só quem tem chance de chegar é a Red Bull, mas tem sérios problemas com o número de motores disponíveis e não tem mais o grande desempenho que já mostrou em dado momento do campeonato. No mundial de pilotos, acredito que dê Button, mas deve ser mais apertado. Ele caiu muito de produção, mas a vantagem que ele abriu no início foi grande. Fora isso há três pilotos disputando para alcançá-lo (seu companheiro Barrichello e Vettel e Webber, da Red Bull) e, ainda, temos a grande evolução de McLaren e Ferrari, "roubando" uns pontinhos importantes deles. A fase atual está boa para Rubinho, mas será muito difícil tirar o mundial de Button.

Agora faltam apenas 5 etapas. A próxima etapa é Monza, na Itália, daqui a 2 semanas. Button até o momento soma 72 pontos e Rubinho tem 16 de desvantagem. Logo em seguida aparecem Vettel e Webber com 53 e 51,5, respectivamente. Na "série B", com a vitória de hoje, Raikkonen passou a liderar com 34 pontos, seguido de perto por Rosberg com 30,5 e Hamilton com 27.

No mundial de construtores Brawn segue na dianteira com 128 pontos, seguida de perto por RBR com 104,5. Na "série B", Ferrari vem na frente com 56 pontos. McLaren tem 44 e Toyota 38,5. Destaque para a saída da Force India da lanterna com o grande desempenho em Spa de Fisichella.

domingo, 29 de março de 2009

Comentários sobre a Austrália

- Ao final da primeira etapa, de um total de 17, a Brawn mostra ser a favorita em disparada ao título. Button foi impecável nos momentos decisivos e conquistou a pole e uma vitória de ponta-a-ponta. Rubinho abusou dos erros, mas também mostrou competência e teve muita sorte. Ross Brawn é muito bom. Incrível como assumiu a desmotivada Honda e, enfrentando todos os problemas financeiros, faz uma dobradinha logo na corrida de estréia de sua equipe. Os japoneses da Honda devem estar se perguntando onde estavam com a cabeça quando decidiram colocar Fry para liderar a equipe e o mantiveram por tanto tempo.

- Brawn, Toyota e Williams disputam um campeonato a parte.

- No campeonato B (das outras 7 equipes) Red Bull, BWM e Ferrari dispõem dos melhores carros.

- Ferrari, porém, precisa solucionar os problemas de confiabilidade e precisa também de melhores tomadas de decisão durante as corridas. Massa largou em 6º e com uma boa largada pulou para 3º. Fazia uma corrida boa até entrar para a 2ª parada, muito cedo. Ainda teve de abandonar devido a problemas no carro com a direção hidráulica. Depois explicou que a estratégia era para 3 paradas, mas que o momento da entrada do Safety Car o prejudicou. Raikkonen parece que continua no mesmo ritmo do ano passado. Fez uma corrida apagada. Errou no final, danificou o carro e também teve de abandonar.

- Vettel (Red Bull) e Kubica (BMW) faziam uma corrida fantástica até o momento que colidiram, quando faltavam 3 voltas para o final. Pelos treinos eu não imagina que RB e BMW estivessem nesta forma para a primeira corrida. Impressionante. Quanto ao acidente acho que foi um lance de corrida. Não era nada para punição. Vettel com os pneus moles destruídos não tinha como segurar Kubica nas 3 voltas que restavam. Kubica por sua vez já planejava disputar a vitória com Button, que também tinha pneus moles destruídos. Kubica forçou e Vettel poderia ter facilitado de uma vez. Kubica só tinha chances de chegar em Button no final por causa do 1º Safety Car. Não fosse isso o Button estaria com uma vantagem muito boa.

- Na minha opnião Hamilton e McLaren conseguiram o resultado mais impressionante na corrida da Austrália. Largou em 18º e chegou em 3º com o problemático carro de que dispõe. Se as equipes do "campeonato B" têm muito a evoluir, McLaren tem ainda muito mais. Estou curioso para ver sua evolução e o trabalho de Hamilton e Kovalainen.

- Fernando Alonso foi outro que teve um ótimo desempenho. A Renault parece também ter sérios problemas quanto ao carro e o problema não é motor. Alonso penou para chegar em 5º. Já Vettel com o mesmo motor e o carro projetado por Adrian Newey chegou até a 3 voltas do final da corrida mantendo a 3ª posição, quando colidiu com Kubica. Nelsinho fazia uma boa corrida, dianta das possibilidades, até a saído do Safety Car. Acho que, na ânsia por mostrar resultado, forçou a barra para cima do Rosberg e com os freios frios perdeu o controle do carro na entrada da curva.

- Eu esperava por mais falhas mecânicas. Acho que apenas com o Massa. Não lembro de mais nenhum. Com tantas mudanças introduzidas, era esparado que houvesse mais problemas.

- A Brawn é impressionante pela velocidade, consistência, confiabilidade e ainda por cima é um verdadeiro tanque. Como é que o Rubinho conseguiu terminar em 2º? Logo na largada danificou a asa dianteira e o tal do difusor. Poucas voltas depois continuou num bom ritmo e chegou a perder mais um pedaço da asa dianteira em um toque com Raikkonen. Em sua primeira parada trocou a asa dianteira, mas foi até o final com a parte traseira danificada.

- Acho que as mudanças introduzidas surtiram o efeito desejado. Tivemos bons pegas e ultrapassagens.

- A FIA não pára de fazer lambança. Tenta mudar regra faltando 2 semanas para o início do campeonato, voltou atrás em seguinda e mostrou que não iria aceitar a proposta da FOTA para não demonstrar fraqueza, ou sei lá o que. Idiotice. Depois não tomou uma decisão rápida quanto aos difusores e só vai avaliar a situação depois de duas etapas. Isso tem um bom potencial de merd... Podem chegar a conclusão de que era inválido. Daí elimina os resultados de Brawn, Toyota e Williams? O principal problema quanto ao difusor, pelo que entendi, foi a forma como a FIA conduziu a coisa. Parece ser legal pela leitura das regras como está, mas já li que equipes como Renault e Red Bull há algum tempo tinha consultado a FIA sobre a possibilidade de fazer algo parecido e a FIA disse ser ilegal. Dois pesos e duas medidas? Outra coisa é, isso não está indo contra a proposta das ultrapassagens e a perda de pressão aerodinâmica? Imagino que isso foi o que levou a declaração de ilegalidade para Renault e RB na época. Se estava mal escrito e já havia percebido era mais fácil chamar logo todo mundo para conversar. Explicaria a situação e faria um acordo. O que não dá é deixar a coisa rolar solta e depois tentar tapar o sol com a peneira.

- Para mim errou também na punição para Vettel em 10 posições no GP da Malásia pelo incidente hoje e na multa de US$ 50.000,00 para Vettel, também, por ter tentado continuar com o carro bem destruído. O correto teria sido dar uma bandeira preta e aí se ele não parasse sim multá-lo. A punição para Trulli em 25s por uma ultrapassagem indevida eu não vi o lance, mas deve estar certo, imagino. Com todas estas lambanças começo a ficar preocupado com o futuro da F1. Cada vez mais está se perdendo o controle e cada vez mais fica escancarado que para a FIA e FOM a F1 nada é mais que um bom negócio. A única coisa boa que tenho visto nesta lenga-lenga toda é que as equipes estão mais unidas. Acho que isso será o pontapé inicial para as coisas voltarem para os eixos.

- O mundial de pilotos por enquanto fica assim.

1. Button (Brawn) - 10 pontos
2. Barrichello (Brawn) - 8 pontos
3. Hamilton (McLaren) - 6 pontos
4. Glock (Toyota) - 5 pontos
5. Alonso (Renault) - 4 pontos
6. Rosberg (Williams) - 3 pontos
7. Buemi (Toro Rosso) - 2 pontos
8. Bourdais (Toro Rosso) - 1 ponto

- E o mundial de construtores fica assim.

1. Brawn - 18 pontos
2. McLaren - 6 pontos
3. Toyota - 5 pontos
4. Renault - 4 pontos
5. Williams - 3 pontos
6. Toro Rosso - 3 pontos

- O ano promete. Pena que provavelmente voltará a ocorrer intervenções dos engravatados nos resultados. Eles estão gostando demais da brincadeira.

- Daqui a 1 semana tem GP da Malásia.

sábado, 28 de março de 2009

Começa a F1 2009

O final da temporada passada coincidia com o estouro da crise financeira mundial, que por sinal ainda continua a exibir seus efeitos pelo mundo e continua a gerar muitas incertezas. Essa crise gerou e continuar a gerar muita preocupação pelo mundo e na F1 não foi diferente. Seu primeiro efeito por lá foi o anúncio da retirada da Honda. Depois de muitas negociações Brawn, que já era diretor na extinta Honda, assumiu a equipe que passou a se chamar Brawn e Fry, que liderou a Honda por todo o tempo, continuou mas parece ter perdido bastante espaço nas decisões.

Independentemente da crise, já havia a tempo, o planejamento de introdução de uma série de novidades com um novo regulamento técnico que primava por ultrapassagens e dava continuidade aos planos de redução de custos na F1. No contexto das ultrapassagens, saíram de cena os apêndices aerodinâmicos (aquelas pontas todas no carro), a asa dianteira ficou mais larga e baixa, a asa traseira mais estreita e alta, compensou-se a perda de pressão aerodinâmica com o retorno dos pneus slick (os lisos), asa dianteira regulável pelo piloto e introdução do KERS (sistema de recuperação de energia cinética).

No contexto da redução de custos, limitou-se o uso de 8 motores por piloto durante a temporada (mais 4 para testes), limitação a 18 mil giros, imposição de custos menores para venda de motores a equipes independentes, extinção dos testes (extra GPs) durante a temporada e redução na utilização dos túneis de vento. Para maiores informações sobre as mudanças, consultar o Tazio.

Com execeção dos cortes nos testes eu gostei das outras alterações, mas acho que o Kers poderia ter sido adiado devido a crise. Com as mudanças para facilitar as ultrapassagens houve um nítida mudança na aparência dos carros. Eles ficaram mais limpos com a saída dos apêndices aerodinâmicos, mas causa estranheza as mudanças nas asas. As asas dianteiras reguláveis são muito interessantes, mas para quem assiste não há muito o que ver. O uso do Kers é muito bacana de ver.

Outras mudanças ainda houveram quanto ao procedimento adotado na entrada do Safety Car. Os boxes não mais ficarão fechados, mas os pilotos devem respeitar um limite de velocidade considerado seguro. Depois do impacto da saída da Honda ainda decidiu-se por tornar a F1 mais interessante para o público. As equipes têm de publicar o peso com que os carros vão largar (nível de combustível), terá sessão de autógrafos com todos os pilotos e todos os pilotos devem conceder entrevistas depois dos treinos classificatórios e corridas. Muito bom.

Com estas mudanças nas regras já estava muito bacana a expectativa, mas a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) e a FOM ("dona" da F1) optou por melecar tudo quando, faltando apenas 2 semanas para o primeiro GP do ano, anuncia que a pontuação se mantem como foi em 2008 mas o piloto vencedor na temporada será aquele com mais vitórias. Acho bom valorizar a vitória, mas desta maneira gera anomalias como: forçar a definição do número 1 na equipe e o tudo ou nada. Provavelmente os pilotos arriscariam muito mais, gerando situações perigosas. Não vendo chances de vitória, pilotos poderiam parar para poupar o motor para a próxima etapa.

A FOTA (equipes) havia sugerido um sistema de pontuação 12-9-7-5-4-3-2-1, que daria maior valor a vitória. Isso sim parece uma idéia muito melhor. Você valora vitórias, mas continua a privilegiar a regularidade. No final das contas houve muitas críticas e a FIA voltou atrás, mantendo as coisas como estavam. O episódio deixou claro que a FIA e a FOM não aceitam sugestões e prometem impor o sistema bizarro de definição de campeão para 2010.

Outro ponto onde a FIA tem falhado é em apresentar uma decisão definitiva sobre o difusor utilizado pela Brawn, Williams e Toyota. Nos últimos testes da pré-temporada estas equipes mostraram um forte desempenho e levantou suspeitas de irregularidade. Acontece que o texto do regulamento ficou um tanto quanto ambigüo e estas 3 equipes fizeram uma interpretação distintas das outras 7, o que lhes confere uma grande vantagem e que para as outras equipes poderem competir de igual para igual terão de fazer grandes alterações no projeto de seus carros, algo praticamente impossível por todas as limitações financeiras e nos testes. Maiores informações aqui.

Todo o atraso nas definições quanto ao surgimento da Brawn levou todos a acreditar que a equipe não teria chances de mostrar resultados expressivos durante o ano, mas desde sua primeira apresentação na pré-temporada a equipe mostrou ter um carro muito rápido e confiável. Vale lembrar que o carro da Brawn não nasceu do nada. A Honda começou a trabalhar em 2008 no carro de 2009 muito cedo, quando viu que dispunha de um carro muito ruim para aquela temporada e que não havia muito mais o que fazer para evoluir. Naquela época a equipe ainda dispunha de muito dinheiro e foi feito um grande investimento no novo projeto. Outro ponto positivo para o novo carro foi a mudança de motor de Honda para Mercedes. Com a saída da Honda, ela não queria mais produzir motores para a F1 e assim a Brawn teve de arrumar um fornecedor e a Mercedes foi a escolhida. Por sorte do destino o bom projeto do carro casou muito bem com o motor Mercedes, mais forte que o Honda.

O resultado disso tudo acaba de sair, a Brawn conseguiu em sua primeira aparição num GP dobradinha na classificação e na corrida. Fora que se lança como a favorita ao título. Não havendo restrições quanto aos difusores, deve confirmar o título muito antes do final da 17ª etapa da temporada (última delas). Caso a FIA o proíba, ainda deve se mostrar forte mas as outras irão encostar.

Fora a surpresa com Brawn, Williams e Toyota, a maior discrepancia de desempenho em relação a temporada passada está na McLaren. A equipe tem mostrado muitas dificuldades com o novo carro. Dentre as equipes sem o difusor "diferenciado", Ferrari se destaca mas continua, assim como em 2008, a mostrar problemas de confiabidade tanto na pré-temporada como hoje na corrida viu-se problemas.

Hoje a corrida acabou da seguinte forma. Seguem os 8 primeiros, aqueles que pontuam.

1. Button (Brawn)
2. Barrichello (Brawn)
3. Trulli (Toyota)
4. Hamilton (McLaren)
5. Glock (Toyota)
6. Alonso (Renault)
7. Rosberg (Williams)
8. Buemi (Toro Rosso)

Como já era esperado, dentre os 8 temos 5 dentre dentre Brawn, Williams e Toyota. Nakajima da Williams, que seria o sexto dentre os turbinadas com o super difusor, bateu e abandou a prova. Destaque para a dobradinha da Brawn. Destaque também aqui para o bom desempenho de Hamilton e Alonso com tudo o que enfrentaram neste final de semana. O destaque negativo do final de semana fica por conta do abandono dos dois carros da Ferrari. Raikkonen parece que saiu em conseqüencia de um acidente. Chegou a continuar correndo um pouco mais, mas depois foi para os boxes. Massa vinha numa prova razoável até a sua segunda (e provavelmente última) parada. Vinha em terceiro e teria chances de lutar pelo 2º lugar, mas parou muito cedo e caiu bastante. Depois apresentou algum problema, deu uma volta muito lento e foi para os boxes.

Dentre os brasileiros o grande destaque foi Rubinho. Se mostrou mais forte que seu companheiro nos treinos livres, mas no classificatório ficou em segundo. Na corrida, largou mal e fez uma corrida de recuperação. Graças aos problemas enfrentados por Massa e ao acidente envolvendo Kubica e Vettel no final, retomou o segundo posto. Nelsinho abandonou ao rodar na saída da primeira vez que o Safety Car foi acionado. Alegou que forçou uma ultrapassagem e com os freios frios não teve como segurar o carro.

Sobre Kubica e Vettel, fora a Brawn, foram os pilotos que mais me chamaram a atenção. Não espera nem de longe o desempenho que apresentaram hoje. Caso não colidessem provavelmente estariam no pódio. Meu comentário sobre o incidente? Vettel não teria como segurar o Kubica até o final devido aos pneus e forçou para tentar manter a posição. Kubica, por sua vez, forçou para ganhar a disputa. Com os pneus em estado crítico, Vettel terminou por abrir na curva e colidiu. Não acho que seja caso para punir nenhum deles, mas acredito que se houve erro este foi de Kubica. Ele deveria ter abortado aquela tentativa e tentava em seguida. De qualquer forma, gostei demais do desempenho de ambos.

O chato é que mal começou o campeonato e já podemos ter uma intervenção da FIA nos resultados. Dia 5 ocorrerá o GP da Malásia e no dia 14 a FIA erá julgar o uso do difusor diferenciado. Os resultados dos 2 primeiros GPs podem ser alterados e a decisão sobre a continuidade ou não do uso de tal difusor terá um impacto direto na disputa pelos títulos. Acho que a FIA deveria ter dado uma posição de forma mais rápida, antes do GP da Austrália. Acredito que a decisão será política e terminará por proibir o uso, mas manterá os resultados.

O que esperar daqui para a frente? Brawn é a favorita. Vettel e Kubica darão trabalho. Hamilton e Alonso mesmo com carros problemáticos irão dar seus pulinhos. Ferrari precisa resolver os problemas de confiabilidade e estratégia de corrida. Não entendi a segunda parada do Massa. Deveria ter sido bem depois.